quinta-feira, 6 de outubro de 2011

COISAS CURIOSAS

Como ficou já referido noutros escritos em vários suportes, houve Assembleia de Freguesia em Caldas de S. Jorge no dia 30 de Setembro. O tema que dominou a reunião e o depois dela foi a não apresentação de documentos requeridos pela oposição e as consequências que daí poderão advir, visto haver indicação de que terá sido passada queixa para a Direcção de Finanças de Aveiro e poderá mesmo ainda ir para a IGAL. Para as Finanças porque pode haver por ali ilícito fiscal. Para a IGAL porque pode haver por ali irregularidade administrativa, nomeadamente na não existências de documentos. Claro que, se as informações não são prestadas a bem a quem a elas tem direito, haverão de ser prestadas a quem as possa exigir doutra forma.

1ª. CURIOSIDADE - Ficou-se a saber que, apesar de o primeiro ponto da Ordem de Trabalhos ser a Leitura e Votação (com aprovação, ou não) da Acta da Reunião anterior, que teve lugar em Junho, a mesma não foi apresentada, parece que por escassez de tempo para a sua redacção. É capaz de haver alguma razão, porque a reunião foi em finais de Junho, só teve a Mesa 90 dias para escrever o relato de reunião.

Sendo a Acta uma das atribuições dos Secretários da Mesa, em última instância quem é responsável pela sua apresentação é o Presidente da Mesa. Mais, ao que julgo, o Regimento impõe que a Acta da reunião anterior acompanhe a Convocatória para a reunião em que será discutida e votada. Parece que também o Senhor Presidente não tem tempo para a chinesice de assumir a responsabilidade pelo bom funcionamento do órgão.

2ª. CURIOSIDADE – Um dos Eleitos na lista da maioria terá desabafado a outro, da oposição, que se estava marimbamdo para se a Assembleia funcionava bem ou mal, se a Junta cumpria ou não com as suas obrigações e promessas (que ele, o marimbante, avalizou, inclusive, com a sua cara em cartaz). Só lhe interessava receber os € 17,00 da senha de presença a que tem direito. Legalmente tem, mas, pela marimbadela, não devia ter direito à senha de presença.

3ª. CURIOSIDADE – A Junta de Freguesia, pela voz do presidente ou do tesoureiro, deu conhecimento à Assembleia de que já há dois anos sabia que a Estação dos CTT de Caldas de S. Jorge iria ser encerrada. Não sei se terá sido a partir do momento em que o presidente não agendou um encontro com o Director dos CTT, da Região do Norte. Mas o que releva é que esta gente não tem um pingo de bairrismo e de interesse pela defesa dos interesses da terra e das gentes que a elegeu. Então, logo que se começou a falar nisso, não deveria ter convocado a Assembleia, a Câmara e mesmo a Assembleia Municipal, as pessoas influentes da freguesia, as empresas e mesmo a população em geral, tudo o que pudesse exercer influência e pressão, no sentido de que os CTT invertessem a posição? Tem o presidente alguma dúvida de que a situação poderia ser invertida? Pergunte ao seu colega de Vilar da Veiga que liderou o movimento contra o fecho da Estação das Termas do Gerês. E pergunte às gentes do Tramagal como se faz movimentação. Com o presidente da Junta à cabeça.

4ª. CURIOSIDADE – Porque será que a Junta de Freguesia não tratou nem trata de fazer ou mandar fazer o destaque do lote de terreno onde está implantada a Sede da Junta. Não é preciso abrir nenhum concurso nem acompanhar qualquer obra. É só dar-se ao trabalho de lidar com notário e Conservatória. Mas é preciso pensar alguma coisa na freguesia e nos seus interesses. Poderá invocar que Outros podiam ter tratado disso há muitos anos. É verdade, mas esses tinham a desculpa de que não eram pagos e muito menos profissionalizados como agora.

José Pinto da Silva

domingo, 2 de outubro de 2011

O COMEÇO E O LIMITE

Perguntei a diversas pessoas, todas idosas, residentes umas em S. Jorge e moradoras outras em Lobão, nomeadamente no Ribeiro, qual o sítio de fim/começo do lugar do Ribeiro, na direcção de S. Jorge. Cada um com a sua nuance, mas todos foram unânimes a confirmar que o Ribeiro começava/terminava ali nas proximidades da cabine eléctrica, outros que talvez no sítio da estrada para Azevedo. Fiquei com a clara convicção de que era entendimento generalizado de que o Ribeiro começava/acabava por ali, numa possível divergência de 30 metros.

Li depois, em documento muito antigo, compilado pelo Padre José Inácio Costa e Silva, referindo-se à formação dos lugares de S. Jorge. Transcreve-se esse troço do escrito.: “ A primeira referência a eles (logares) encontrei-a na Inquirições de D. Afonso 3º. (século XIII). Reza assim o trecho deste documento: ‘’ …Et dixerunt quator boni homines pro partiebat terminus de Azeveduzio per rivum de uma cum Arcuzelo, et in altera parte cum Guizandi per portela de Rotoa et per portum Desposendi et quomodo vadit petram Guemara et vadit ad Ribejrum’’” Numa tentativa de tradução, com as limitações intuídas e muito por aproximação, quererá dizer este texto de latim pouco académico. E disseram quatro homens grados que o término de Azevedo se partia pelo rio Uima com Arcozelo, e na outra parte com Guizande pela portela da Arroteia e vai em direcção à pedreira da Gembra e vai para o Ribeiro. Nota: UMA era uma grafia antiga de Uima, ROTOA corresponde a Arroteia, DESPOSENDI corresponderá a Estose. A pedreira da Gembra existiu até não há muitos anos e foi entulhada entretanto.

Uma conclusão intuitiva é que Azevedo terá como linha de demarcação, a poente o Rio Uima e a sul/nascente a linha desde a Arroteia, pedreira da Gembra e Ribeiro. Naturalmente a linha terminaria no fim/começo do Lugar do Ribeiro. E, assim sendo no século XIII e não tendo havido nenhum movimento de conquista, dali para baixo (poente) nem era Ribeiro, nem era Lobão.

Por outro lado e compulsando ainda os escritos do Padre José Inácio, referindo-se a actividades em S. Jorge, lê-se: “… o primeiro hotel foi instalado numa casa nova, construída de propósito para ele, nos Candaídos e onde hoje habita o Dr. Conceição. Abriu aqui por 1886, funcionou bastantes anos, e fechou por fim. Durante largos anos estiveram as thermas sem um hotel. Até que, há uns 7 anos (algures nos anos 30) abriram-se duas pensões. Uma no Parque e outra nos Candaídos. Mais tarde abriu-se outra junto à ponte das Caldas…”

O edifício do primeiro hotel nos Candaídos foi demolido há poucos anos. Era conhecido como a Casa do Dr. Joaquim (Alexandrino da Conceição) ou Casa do Sr. Lincho (este Sr. Lincho era genro do Dr. Conceição). A Pensão que abriu mais tarde, também nos Candaídos, era a Pensão Silva, cujo edifício ainda existe com poucas alterações em relação à construção de raiz.

Conclui-se que o Lugar dos Candaídos, que ninguém ousa dizer que não era de S. Jorge, começava no Ponte com o mesmo nome e ia pela estrada até, pelo menos, ao edifício da Pensão Silva, sendo instintivo imaginar-se que terminaria no limite do Ribeiro, ali na zona da cabine que, segundo uma pessoa ainda viva, foi construída em terreno de S. Jorge.

Isto para achegar mais alguns dados para a clarificação sobre a pertença daquela rua que, aí pelos anos 30 recebeu o nome de Rua dos Namorados, por ser o percurso dos pares de namorados desde as Caldas até à Fonte dos Amores.

José Pinto da Silva

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

POEMA MATEMÁTICO

POEMA MATEMÁTICO

Millor Fernandes

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.

Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

Pareceu-me digno de ser publicado e que interessará a quem o não conhecer ainda.

José Pinto da Silva

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PADRÕES DAS COMENDAS DA ORDEM DE CRISTO

Mostro duas das Cruzes de Cristo que estão nos
padrões a que me referi no post anterior. Das oito
referidas no mapa, tem duas bem delineadas, outras são menos perfeitas, duas estão deitadas, sinal de que foram mexidas.

José Pinto da Silva





















PADRÕES DAS COMENDAS DA ORDEM DE CRISTO

PADRÕES DAS COMENDAS DA ORDEM DE CRISTO

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Ainda que com um risco muito empírico, passei pelos locais onde estão implantados diversos padrões que têm no topo a Cruz de Cristo e que algumas pessoas consideram como marcadores de limites de freguesias.
Considerando a sua localização (ver as cruzitas encarnadas) gostaria que tentassem ligá-las, em qualquer sentido, para se ver se poderá coincidir com algum limite de freguesia. Notar sobretudo as 6 e 7 que estão a uma distância de cerca de 20/30 metros uma da outra.
Esta será uma primeira ideia para que as pessoas tirem ilações, nomeadamente a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge.

José Pinto da Silva

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CORTAR GORDURAS

Os doutores que entraram p’ro governo mais não dizem do que é preciso cortar gorduras, nas gorduras do Estado, mas parece que quem é gordo não consegue adivinhar onde está qualquer outra gordura. O Prof. Gaspar já disse que é muito mais fácil dizer que se corta, do que fazer o corte. Olha a dúvida! Parece que não aprenderam a suturar o golpe e não podem deixar o bicho de papo aberto.

Aqui se sugere um corte de costura simples e que até pode ser feito sem anestesia. É de pouco doer. O país tem 4 260 freguesias, logo tem outros tantos presidentes de Junta. Como não faz sentido que estejam nas Assembleias Municipais, porque não são eleitos para esse órgão e o desvirtuam, quer na composição, quer nos resultados de deliberações, devem sair pura e simplesmente. Acho que constituem um furúnculo na democracia autárquica.

Cada eleito para o órgão recebe, em senha de presença, € 76,30 por reunião e os presidentes de junta também (nos concelhos de Lisboa e Porto recebam um pouco mais e nos concelhos com menos de 40 000 eleitores, um pouco menos. Considere-se aquele um valor médio) e considerando que as Assembleis reúnem 8 vezes por ano (4 ordinárias e 4 extraordinárias) faz com que aufiram 4 260 x 76,30 x 8 = € 2 600 304,00. É uma gordura que já dá um bom púcaro de banha.

Depois, nos Executivos Municipais, os vereadores sem pelouro (os de oposição minoritária) são absolutamente inúteis. As suas propostas não são aceites e os seus votos a favor ou contra não têm relevância. Se considerarmos que, em média, há 3 vereadores nesta situação por município, como há 308 concelhos, estão por lá 924 vereadores inúteis. Como receberão, acho, cerca de € 80,00, em média, por reunião em senhas de presença e considerando-se que há uma reunião por semana, teremos: 924 x 80 x 52 = € 3 843 840,00.

Nestes dois items poupar-se-iam 6 444 144,00 euros.

E fará algum sentido a verba paga a título de despesas de representação aos presidentes de Câmara e vereadores em permanência? Dessa forma é, claramente, um reforço de salário, isento de impostos. Acho um roubo. Porquê não serem reembolsados à factura? Recebem o que gastarem quando saídos em representação da autarquia. Normalmente vão em viatura pública, no banco traseiro, conduzidos por motorista público. Justifiça-se que os presidentes tenham um complemento de salário de mais de 1 000,00 euros e cerca de 600,00 os vereadores? Acho um roubo.

José Pinto da Silva