domingo, 8 de fevereiro de 2015

PUERICULTURA EM MUSEU



blogspot recebeu o seguinte mail para publicação, O mail vem assinado pelo Sr. José M. P. Silva. Todo o conteúdo não é da responsabilidade do blog. O mail diz:

Há duas semanas, mais ou menos, publicou o glogue uma "piada" a propósito de monumento à Puericultura Caldense. Por sinal que o Executivo Autárquico anterior (2001-2005) chegou a inscrever em Plano de Actividades a implantação de um "monumento"(não chegou a ser especificado que espécie, se escultura ou outro) e o local de implantação seria naquele pequeno espaço recentemente ajardinado junto da ponte da Sé. Mas, para se tentar salvaguardar alguma coisa desta indústria que, em POrtugal, teve berço em Caldas de S. Jorge, e salvaguardar o que for possivel dos modelos, dos métodos de fabrico, da gama em geral no decorrer dos anos, das ferramentas específicas usadas nos anos 30/40/50/60/70/80 e no tempo actual, o Blogue poderia tentar mobilizar toda a gente e sobretudo os actuais industriais (um já o era nos anos 60) e os que entretanto deixaram de o ser, por encerramento das empresas ou outrarazão, no sentido de recolherem, e disponibilizarem, o que porventura ainda retenham:peças antigas fabricadas (conjuntos, cadeiras, andadores, carros de pedais, trotinetes,) algumas ferramentas (aqueles dispositivos manuais de curvar tubo, por ex.) uma que outra máquina antiga (prensas manuais, por ex.), colecções de fotografias que serviam de catálogos, catálogos antigos com toda a gama, enfim, tudo o que haja disponível para, um dia, se poder juntar isso, bem catalogado num arremedo de museu. Ouvi que haveria uma pessoa que terá uma colecção de "slides" com algumas imagens dos finais de 60. Quem sabe as disponibilizaria se a ideia vingasse. Fica a ideia.







José Pinto da Silva  (texto publicado em Abril de 2007 no blogue das Caldas)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Brochura do Inatel " Termas S. Jorge"




blogspot recebeu o seguinte mail para publicação, O mail vem assinado pelo Sr. José M. P. Silva, diga-se que é a primeira vez que escreve para este blog directamente, o que esperemos que escreva muitas mais vezes. Todo o conteúdo não é da responsabilidade do blog. O mail diz:
_____________________________________

Exmos. Senhores,Foi distribuído como encarte num diário uma pequena brochura com o título em assunto e, tudo leva a crer, é da responsabilidade do INATEL.Na página 14 do documento traz uma Nota (Pseudo) Indicativa das Termas de Caldas de S. Jorge e, pelo que ali se contem, começo, desde já, a apresentar o meu mais veemente protesto, pois não é aceitável que uma instituição como o INATEL distribua,às dezenas de milhar, MENTIRAS sobre uma Estância que, ao que julgo, está nas primeiras 10 em frequência e nas primeiras 5 na qualidade das instalações e serviços.Diz-se do 2º. Parágrafo: Situado no Douro Litoral, junto ao Castelo Medieval de Santa Maria da Feira, as Caldas de S. Jorge, no centro vital da então "Civitas Santae", hoje em Terras de Santa Maria, junto ao monte de floresta onde se ergue o Castelo, desenvolveu-se uma importante feira que, mais tarde, deu origem à povoação.Ora, Caldas de S. Jorge e a Estância Termal FICAM A 10/11 QUILÓMETRO DO CASTELO E SITUAM-SE NUM LOCAL BEM MAIS BUCÓLICO QUE É A MARGEM DO RIO UIMA E NÃO TEM NENHUM MONTE DE FLORESTA. V.EXAS. DESCREVERAM OEDIFÍCIO DO INATEL COM O TÍTULO DE "TERMAS DE S.JORGE". Uma Vergonha.No terceiro parágrafo reportam-se a Santa Maria da Feira como centro industrial com destaque para o calçado e cortiça e o grande espaço doEuroparque... Esqueceram-se umaúnica referência à freguesia de Caldas de S. Jorge e à Indústria dos CARRINHOS DE BÉBÉ, que nasceu nesta localidade em 1945 e hoje serátalvez o maior CENTRO IBÉRICO da produção desses artigos.A seguir referem a Localização: Pelo título que usam, deveriam querer indicar a localização das Termas. Dizem tão somente que Santa Maria da Feira fica a 26 Km do Porto. E até talvez fique. Mas usar o título de "TERMAS DE S. JORGE" para depois promover em exclusivo a sede do concelho ignorando em absoluto a terra onde as águas brotam e onde está a Estância, é uma ofensa à população.Deste meu/nosso protesto darei conhecimento à Sociedade de Turismo de S. M Feira, SA,entidade que explora e gere a estância, à Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge, à Câmara Municipal e daremos nota a todas as entidades que patrocinaram UMA MENTIRA Min. Saúde, Min. Trabalho e solid. Social, PAI, Assoc. Termas de Portugal, Direcção Geral de Saúde e Direcção Geral de Turismo.Os meus mais vivos protestos


José Marques Pinto da Silva
(Nota publicada no blogue das Caldas de S. Jorge em 24 Abril de 2007 - Por uma questão mera de arquivamento, vou passando esses dados para o inconfidencias)

Calçada do " Herdeiro"


Creio ter desaparecido do "espólio" do blogue a alusão à calçada do Herdeiro. Salvo melhor opinião, acho que merecia lá estar até para lembrar as autoridades (Junta e Câmara) que há o resto para acabar. A pavimentação em calçada da parte plana.E por falar na calçada, existe aquele edificio conhecido por "Casa do Herdeiro", a única Casa Brasonada de Caldas de S. JOrge, com brasão com Armas Episcopais e quemerecia aparecer no blogue. Esta casa foi referenciada ao IPPAR como de certo tipoArquitectónico e desta região (parece haver uma muito idêntica algures em Arouca) eque merecia ser preservada.Ao administrador do blogue de obter elementos sobre ela. A casa de lavoura mesmo à entrada da Calçada, ao que é acreditado, é de caracteristicas muito raras e representará uma traça de Casa de Lavoura marcante da região. Merecia ser estudadae a sua imagem guardada.Pena as construções que foram feitas nas imediações (a norte da Casa Brasonada)o que descaracteriza a principal.

Sentimos uma satisfação pessoal por termos visto que a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge iniciou a limpeza da Calçada do "Herdeiro", trabalho que não sendo de grande custo, poderá tornar aquela zona num bastante agradável roteiro pedonal. O Senhor vereador do pelouro, sendo, como tem dado claramente a entender, um "amante" do Uima, não deixará de responder afirmativamente ao apelo que a Junta já fez ou tem em mente fazer, para que mande arranjar a parte plana da calçada, mesmo em frente ao rio, já próximo do limite de freguesia. Ali é preciso pavimentar, naturalmente em calçada portuguesa, aquelas duas vintenas de metros, meter tubos (de calibre razoável), que drenem as águas que, em certas épocas descem dos campos a poente e, quiçá, proceda a alguma espécie de protecção do lado do rio. Seria uma obra de algum significado. E… depois, sensibilizar a Junta de Lobão no sentido de limpar e pavimentar, também com calçada, o caminho natural até à Ponte do Mourão, limpar e reparar a ponte e continuar a boa delimitação do caminho na direcção de Tugilde.
josé Silva in jornal terras da feira on-line.  (Texto inserido no blogue das Caldas em 15 de Maio de 2007

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O P. D. M. REVISTO 22 ANOS DEPOIS



Já com barbas pela cinta, mesmo com retoques suspensivos aqui e além para utilização em empreendimentos de real ou suposto interesse público, parece que foi dada por terminada a Revisão desse instrumento de coordenação e organização territorial do concelho. É o que se deduz em consulta à página oficial da cm-feira.
Sendo o meu interesse o de mero observador, fui passando os olhos como bicho por vinha vindimada e, porque nasci e sempre vivi colado ao Rio Uíma, parei no Cap. V do Relatórios Final(sic), ponto 5.4 – Zonas Inundáveis e Ameaçadas pelas Cheias, e do sub-ponto 54.1 destaquei: “O estudo das bacias hidrográficas, no qual se inclui a proposta de delimitação das zonas inundáveis e ameaçadas pelas cheias no município de S. M. Feira, foi remetido à consideração da A. R. Hidrográfica do Norte em 12 Dezembro de 2008, obtendo, por parte desta, parecer favorável a 12 de Janeiro de 2009. Em 2010 foi-me dito pessoalmente e face a face que a ARHN não faz vistoria ou fiscalização in loco, mas que se suporta só e unicamente no relatório apresentado pelas Câmaras. Et pour cause, avaliza todas as mentiras que possam estar nos relatórios, tratando-se de mentiras piedosas e com alguma coerência.
Um pouco mais abaixo, no sub-ponto 5.4.2 – Conceitos e Normas – Zona Ameaçada pelas Cheias é dito: “a área contígua à margem de um curso de água que se estende até à linha alcançada pela maior cheia que se produza  no período de um século, ou pela maior cheia conhecida, no caso de não existirem dados que permitam identificar a anterior”. Este detalhe é muito importante para se compreender o que mais adiante se denuncia.
Abre-se depois outro capítulo titulado “Identificação e Caracterização das Zonas Ameaçadas pelas Cheias” e por aí se diz: “..Constatou-se que não existem dados que permitam identificar “a linha alcançada pela maior cheia que se produza no período de um século” , no entanto, o ano de 2001 “foi rico na informação. Segundo alguns autores, em muitos concelhos de Portugal, os valores registados, de precipitação e caudal, são os mesmos, ou aproximam-se dos que caracterizam as cheias centenárias.
Assim sendo, assumindo que a cheia de 2001 será um bom ponto de referência e terá um período de retorno longo, foi assumido como bom ano de referência.
Partiu-se para o terreno, onde as áreas ameaçadas por cheias foram sendo rectificadas à escala 1/1000. Para tal foi necessária a compilação de um conjunto de informação que foi fornecida por moradores, pelos presidentes de Junta de Freguesia, jornais locais e por informação recolhida no local por técnicos da C. M. que estiveram envolvidos na resolução dos problemas ocorridos.
Lido este curtíssimo troço do extensíssimo documento que é o PDM e extrapolando as crassas mentiras metidas na área hidrográfica para todo o resto, ter-se-á de concluir que um tal documento não serve para coisa nenhuma e, pelo contrário, será legislação para ser respeitada só por quem olhe os serviços municipais de esguelha. Porque, para os outros, para o resto, para os bons munícipes, haverá de ser à vontade do freguês, com mais ou menos pancaditas nas costas.
Os serviços camarários estão prenhes de saber que a cheia de 2001 foi uma pequena enchente se a compararmos com a cheia de 1954. Como tenho referenciado mais do que uma vez, com conhecimento epistolar à Câmara, à ARHN e à CCDRN, na cheia de 1954 a água encheu o parque das Termas e transbordou em grande turbilhão por cima do muro do parque. Recordo o caso do miúdo que, estando em cima do muro, teve que se abraçar a um pilarete que existia na entrada sul do parque para não ser arrastado. Esse “miúdo” é vivo e está disponível para dizer, a quem não tem querido a verdade – as gentes da Câmara da Feira -, o risco em que esteve. A pessoa que chegou a corda a quem haveria de ir resgatar o “miúdo” ainda é vivo e pode declarar o que me disse a mim. Eu próprio falei a respeito com mais de uma dúzia de pessoas, já adultas em 1954, que confirmaram que a água na rua, em frente da Padaria Central (Café do Sr. Américo) atingiu um metro. A água chegou à borda do tanque do belo chafariz que havia ali junto à ponte.
Pergunto: Quem partiu para o terreno? Que moradores foram ouvidos em S. Jorge ou em Fiães? Que jornais foram consultados? Pois eu tenho disponível e cederei para consulta o que em 25 de Outubro de 1954 disseram os três diários do Porto – Jornal de Notícias, Primeiro de Janeiro e Comércio do Porto – este último faz referência ao episódio do “miúdo” e diz que em frente ao parque (a sul) a água atingiu 5 metros de altura. Notar que em 2001, andei eu a medir e a água subiu 70 cm acima do solho do estabelecimento na altura instalado na ilha. O que significa que os técnicos foram contratados para ver e escrever o que a Câmara mandou, e foram ouvidos moradores previamente industriados, como tinham sido a quando da elaboração de um vergonhoso Relatório feito por encomenda para justificar o injustificável, Relatório que até incluiu uma fotografia falsa a reproduzir uma casa do “Zé Moleiro”, esquecendo o inqualificado e desqualificado técnico que fez, ou só assinou, o dito Relatório que era nessa casa que eu próprio morava, porque sou filho do tal “Zé Moleiro”.
Relativamente a Fiães, partam para o terreno e falem com o Senhor Salvador Soares da Silva, pois ele deixou escrito bastante sobre a Tromba de Água de 24 de Outubro de 1954. E reparem o título do “Correio da Feira”: GRANDE TRAGÉDIA.
Para me não alongar, reitero que, sobretudo no que concerne a parte de Hidrografia, o PDM é um chorrilho de mentiras que não merece o menor crédito. Para referência de cheia do século, querem os incompetentes técnicos uma comparação?
Todos os anos há cheias no Vale do Tejo, uma mais subidas, outras algo menos, mas que isolam sempre algumas povoações. Mas alguém esquecerá algum dia a cheia de 1967 que, diz-se agora, porque na altura a censura não deixou, terá feito perecer cerca de 500 pessoas?
Estou disponível para levar os tais técnicos, que partiram para o terreno sem sair dos fofos gabinetes, junto de várias pessoas que viveram o dia trágico de 24 de Outubro de 1954. Cá em S. Jorge. E começo já a garimpar na mente as palavras ideais para os qualificar.

José Pinto da Silva

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ÚLTIMA HORA: REVELADOS DOCUMENTOS DAS CONTAS DA FAMILIA SÓCRATES EM OFFSHORES

Com a assinatura da Senhora D.ª Elvira Fernanda Pinto da Silva Monteiro, tia de José Sócrates, é criada uma Sociedade ou Conta Offshore com o tio Júlio Coelho Monteiro (aquele da casa de Cascais…) e os primos. Agora basta movimentá-la em qualquer cidade do Mundo com um vulgar cartão. O dinheiro depositado não recebe juros, pelo contrário, tem encargos. O montante pode ir para um banco alemão que empresta a Portugal a 5% ou mais...

OFFSHORE EM NOME DA FAMÍLIA DE JOSÉ SÓCRATES (clique nas imagens para ampliar)

1 - O CONTRATO

2 - DECLARAÇÃO DA TRUST SOBRE OS TÍTULOS

3 - UM EXTRACTO BANCÁRIO DO BNC INTERNATIONAL (CAYMAN) LTD


EDITORIAL DE AFONSO CAMÕES NO JN

O Estado português deixa que se violem sistematicamente o segredo de justiça e o direito de reserva da vida privada, e assobia para o lado. Posso testemunhá-lo. Disse isso mesmo à Senhora Procuradora-Geral da República, de quem se espera que seja a guardiã dos direitos de cidadania. E que faça o que lhe compete.

Explico-me.
Primeiro, o romance de cordel.
Desconheço a dimensão da matilha, mas sei que, ainda que pouco inteligente, obedece ao dono que a mandou ir "chatear o camões". Só percebeu a terminação, mas veio. Literalmente.
Razões sanitárias inibem-me de dizer o nome da Coisa publicada que nas últimas horas, e provavelmente nas próximas, mente com todas as letras, procurando atingir o meu nome, Afonso Camões, e, por esta via, tentar minar os laços de confiança e de credibilidade na relação com os leitores que fazem do Jornal de Notícias um grande jornal nacional, sustentável, vencedor e orgulhoso da sua pronúncia do Norte.

A Coisa publicada - que lidera em Portugal o triste campeonato das condenações e dos crimes por difamação, abuso de liberdade de imprensa, de violação do direito de reserva da vida privada e outras malfeitorias escritas que tais - mente e manipula, sabe que o está a fazer, mas vai ter que responder por isso, mais uma vez. Associa-nos a um fantasioso plano conspirativo para a tomada do poder na comunicação social, a mando do antigo primeiro-ministro José Sócrates. Esse mesmo, aperreado há 59 dias sem culpa formada, detido preventivamente por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

A "novidade" que trazem, de mau "jornalismo", é velha de mais de 40 anos, tantos quantos os da relação de amizade que mantenho, com gosto e desde a minha juventude, com Sócrates.
E dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos diretor do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo.

É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores.
Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça.

Sim, eles falam com jornalistas!
Durante meses, o caso parecia ter ficado por ali.
Mas basta uma pequena ponta de verdade para sobre ela fazer cair a sombra de uma grande mentira. Depois da detenção de José Sócrates, a 21 de novembro, mas comentada há meses nos meios políticos e jornalísticos, começou a circular nos corredores da intriga que eu teria avisado o antigo primeiro-ministro da sua iminente detenção. Mas, agora, já como diretor do JN, o que configuraria uma grave violação do Código Deontológico. A mentira chegou, plantada, a vários jornais, mas teve sempre perna curta.
O ataque à minha reputação, mas sobretudo à independência e à credibilidade do nosso Jornal de Notícias, levaram-me a pedir uma audiência à Senhora Procuradora-Geral da República. Joana Marques Vidal recebeu-me quinta-feira à tarde, dia 15, na presença do meu diretor-executivo e do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, que tutela a investigação ao caso Sócrates, liderada pelo procurador Rosário Teixeira e pelo juiz Carlos Alexandre.

Narrei à procuradora parte dos factos aqui descritos. Mostrei-lhe séria preocupação pela intentona em curso, lesiva e violadora dos meus direitos, liberdades e garantias, e, sobretudo, o gravíssimo atentado à credibilidade deste JN centenário, que atravessou regimes e revoluções, mas que não é nem nunca poderá ser utilizado como instrumento de uma qualquer guerra empresarial, na disputa pelo controlo dos média portugueses.

Falei a Joana Marques Vidal das escutas de que estaria a ser alvo, da violação do segredo de justiça, da tentativa de condicionamento da minha liberdade enquanto diretor de jornal e jornalista, e da necessidade de a procuradora-geral, como guardiã dos direitos dos cidadãos, atuar para impedir esta violência e a continuação destes crimes. Disse-nos nada poder fazer e, candidamente, aconselhou-nos a consultar um advogado...
Diz a Coisa publicada que foi Sócrates que me fez diretor do Jornal de Notícias.
Sou honrosamente diretor deste grande jornal, com o voto unânime do seu Conselho de Redação, depois de ter aceitado o convite dos meus administradores, com o apoio do Conselho de Administração deste grupo empresarial. É perante eles que respondo. E é aos nossos leitores que dou a cara, cada dia.

Aqueles que se cruzaram comigo ao longo de 35 anos de carreira, que me orgulha a mim, aos meus filhos e amigos, sabem a massa de que sou feito.
Trabalhei com zelo e lealdade sob Freitas Cruz, Feytor Pinto, Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Francisco Balsemão, Cunha Rego, Vasco Rocha Vieira. Nos últimos anos, enquanto administrador da Lusa, trabalhei sob sete ministros, ao longo de três governos de diferentes famílias.
Não sou de deixar ninguém para trás. E guardo em casa, entre outras honrarias, a medalha de mérito da minha terra e a Medalha de Mérito Profissional que me foi atribuída em nome do Estado português.

Mas voltemos à audiência na Procuradoria-Geral da República. O diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, considera que "não há política neste caso" e, sem que eu o tivesse questionado, sublinhou a confiança dos seus "homens no terreno" (estou a citá-lo), negando, primeiro, ter ouvido as escutas, mas, depois, confirmando ter ouvido mas não tudo.
No dia seguinte, a 16, a Coisa publicada bradava o primeiro folhetim da fantasia conspirativa, pretendendo atingir o presidente do Conselho de Administração da Global Media, Daniel Proença de Carvalho, e os seus administradores.

Quem é essa gente, que atira a pedra escondendo a mão?!
Há mais de 400 anos, Filipe II de Castela, aquele que residiu em Lisboa, topou-lhes o caráter nos avoengos, em carta enviada à mãe para Madrid: gente rasteirinha, daqueles que "sofrem mais com a ventura alheia do que com a dor própria". Dói-lhes de inveja que sejamos sãos, a crescer e melhores do que eles. E estão outra vez enganados: aqui, na casa, cumprem-se regras herdadas de gerações de grandes jornalistas, ao longo de 127 anos, e gostamos de roçar a nossa na língua portuguesa. Mas antes mortos do que na imundície em que esgravatam.

Mais luz sobre este lance põe a descoberto, também, o mais sujo e antigo dos truques das guerras comerciais que todos conhecemos: atirar lama sobre os produtos e as empresas da concorrência, para ganhar vantagem no mercado. É nessas práticas que se revelam os carateres.
Não disputaremos tal terreno.
A liberdade de imprensa não pode ser utilizada em nome do lucro ou de agendas empresariais. Nada é mais importante do que a liberdade. E são ignóbeis quaisquer tentativas de submeter a liberdade a agendas pessoais - sejam elas privadas, ou mesmo públicas.
Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem.

A meses de duas eleições que convocam os portugueses para importantes escolhas, a quem aproveita a tentativa de condicionamento do JN?
Este jornal tem critérios e depende exclusivamente deles. São os da ética e do rigor profissional. Não tem ambições políticas e é indiferente a quem as tiver. Não deve obediências a partidos, autarquias, clubes, empresas ou qualquer sacristia. Mas não é nem será neutral na defesa das grandes causas, pela liberdade e dignidade do homem como medida de todas as coisas.

Contra o centralismo, a miséria, a ignorância, a inveja e a tirania, não gostamos do jornalismo mole, narcótico ou redondinho. Ao contrário, apreciamos e procuraremos acolher e cultivar a prosa culta, comprometida, por vezes revoltada - e sempre, sempre inconformada. Um jornal são milhões de palavras. E quem as escreve escreve-se a si também, no seu registo histórico.
O JN é um exercício de memória contra o esquecimento. Na batalha contra as desigualdades e na afirmação da solidariedade inclusiva, em primeiro lugar na relação de vizinhança, aí esteve e aí estará sempre o Jornal de Notícias.
Como eu compreendo o Papa Francisco quando, há poucos dias, disse que se alguém lhe ofendesse a mãe "deveria estar preparado para levar um soco". Por mim, hesito em ir às fuças cobardes de quem me quer ofender, porque resisto à ideia de meter as mãos na enxovia.

Até lá, o Senhor lhes perdoe, que eu não posso.

AUDIÊNCIA DE AFONSO CAMÕES NA P G R




Afonso Camões pediu e obteve uma audiência com Joana Marques Vidal antes de o "Correio da Manhã" noticiar as ligações do director do "Jornal de Notícias" a Sócrates numa alegada operação para controlar a imprensa intermediada por Proença de Carvalho. Sobre as quebras do segredo de justiça, a PGR perguntou a Camões se achava que estas tinham origem na investigação, tendo o director do JN optado pelo silêncio.
Em comunicado enviado às redacções, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que Afonso Camões, director do Jornal de Notícias, solicitou uma audiência em 8 de Janeiro e que esta se realizou no dia 15 - antes de o Correio da Manhã ter noticiado no sábado, 17 de Janeiro, as suas ligações a José Sócrates numa alegada operação para controlar a imprensa – e que fundamentou o pedido "no conhecimento de determinados factos relativos à denominada Operação Marquês, os quais gostaria que a Procuradora-Geral avaliasse".

Contudo, segundo acrescenta o comunicado da PGR, o director do JN usou esse encontro para manifestar "receios quanto à possibilidade, que considerava iminente, de serem publicadas notícias relativas às suas ligações pessoais com José Sócrates, tendo por base escutas realizadas no âmbito da Operação Marquês". Camões disse ainda "temer que as referidas notícias prejudicassem não só o seu nome, mas também o do Jornal de Notícias" e "pediu à Procuradora-Geral que o aconselhasse sobre o que fazer".  

Sobre essa matéria, a Procuradora-Geral respondeu "não lhe poder dar conselhos nem pessoais nem jurídicos, os quais deveria solicitar a um advogado" e esclareceu "desconhecer totalmente se o nome do director do JN constava das escutas telefónicas efectuadas no referido processo". Joana Marques Vidal disse ainda "que sempre que há indícios de crime de violação de segredo de justiça é instaurado inquérito" e que "relativamente ao inquérito em causa já existem investigações em curso por violação do segredo de justiça".

O comunicado precisa igualmente que a Procuradora-Geral da República e o director do DCIAP Amadeu Guerra perguntaram ao director do JN se essas suas suspeitas, decorrentes de uma eventual violação do segredo de justiça, tinham origem na investigação, "tendo o director do JN optado por nada dizer sobre essa matéria".

O comunicado da PGR surge depois de Afonso Camões ter escrito hoje um texto de opinião no jornal que dirige, intitulado "Estado não cumpre e assobia para o lado", no qual revela o encontro com a PGR. Nesse texto, Camões alega que foi queixar-se de violação do segredo de justiça e que a PGR lhe respondeu "candidamente" para procurar um advogado. "O Estado português deixa que se violem sistematicamente o segredo de justiça e o direito de reserva da vida privada, e assobia para o lado. Posso testemunhá-lo. Disse isso mesmo à Senhora Procuradora-Geral da República, de quem se espera que seja a guardiã dos direitos de cidadania", escreve.

Segundo o "Correio da Manhã" de sábado, o ex-primeiro-ministro José Sócrates – detido preventivamente por indícios de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada – foi escutado a falar com um dos seus advogados, Daniel Proença de Carvalho (também advogado de Ricardo Salgado), sobre o negócio de compra da Controlinveste – o grupo que detém o "Diário de Notícias", o "Jornal de Notícias" e a TSF, e que é agora presidido pelo próprio Proença de Carvalho. Ainda de acordo com o "Correio da Manhã" (publicação da Cofina, proprietária do "Jornal de Negócios") terá sido o ex-governante quem escolheu o actual director do JN, Afonso Camões, e Proença de Carvalho chegou a reunir com o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Carlos Magno, para tentar travar as primeiras notícias sobre as suspeitas da casa de Paris, ainda em 2013, que foram avançadas pelo CM.

Na sua edição de sábado passado, o "Correio da Manhã" escreve ainda que, ainda em Maio, Afonso Camões terá avisado o ex-primeiro-ministro de que estava a ser investigado. No artigo hoje publicado, Afonso Camões não nega esta informação, afirmando apenas que em Maio não era director do Jornal de Notícias, mas presidente da administração da Lusa e por isso não actuava como jornalista, mas nega ter avisado José Sócrates como director do JN, dias antes da sua detenção, em Novembro. "Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem", escreve Camões, numa referência implícita ao CM.

O texto de Camões surge depois de na sexta-feira, 16 de Janeiro, o CM ter denunciado em editorial um ataque "à liberdade de imprensa" e informado que vai constituir-se assistente no processo que envolve Sócrates e as alegadas tentativas do ex-primeiro-ministro de silenciar o jornal