terça-feira, 10 de julho de 2012


EX PRESIDENTE DA JUNTA DA AFURADA

António Morais, presidente durante 27 anos da Junta da Afurada, Gaia, está, desde ontem, a cumprir a pena de prisão a que foi condenado por desviar dinheiro da autarquia.
De 63 anos, é vendedor de peixe no mercado de Gaia, o autarca vai cumprir quatro anos e seis meses na cadeia de Santa Cruz do Bispo, Matosinhos, onde se apresentou sem ser detido pelas autoridades policiais.
A condenação de António Morais Oliveira por crime de peculato foi confirmada pelo Tribunal da Relação do Porto, tendo sido suspensa com a condição de pagar os 77 mil euros subtraídos dos cofres da Junta, ao longo de dois anos. Considera-se, por isso, o “bode expiatório” da classe política.
O condenado deixou a autarquia em 2006, pouco após ter sido descoberto o desfalque, que se destinou a cobrir dificuldades no seu negócio familiar. Parte do dinheiro, nunca devolvido, era de subsídios da Câmara de Gaia para as Festas de São Pedro da Afurada. (JN 10 Julho 2012)

Colhida esta notícia no “Notícias” e que parece importante divulgar, porque sentimos que muita gente acha que os autarcas, em termos muito gerais, podem sacar o que muito bem entendem e que nunca lhes acontecerá coisa nenhuma. É claro que só uma pequena percentagem de faltosos têm sido, são e serão apanhados, julgados e condenados, mas é pedagógico que estes casos se divulguem para dissuadir os que se tentem e impelir todos a que sejam bem claros na sua apresentação de contas e não deixem dúvidas perante as questões que, eventualmente, lhes sejam colocadas com vista ao cabal esclarecimento. Porque se sabe que, em muitos casos, além do ensaque de subsídios, como o da Afurada, há os que recebem bónus por jeitos muitas vezes não apercebidos do comum dos cidadãos (um parecer favorável para a construção, demolição ou alienação de um qualquer património, por ex.), há os que se conluiam com empreiteiros para cedência de comissões. Enfim. Todos os dias aparecem insinuações dessas. Os cidadãos praticam acto de cidadania se, em caso de suspeita, alertarem para as situações de suspeição.

José Pinto da Silva

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