quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O P. D. M. REVISTO 22 ANOS DEPOIS



Já com barbas pela cinta, mesmo com retoques suspensivos aqui e além para utilização em empreendimentos de real ou suposto interesse público, parece que foi dada por terminada a Revisão desse instrumento de coordenação e organização territorial do concelho. É o que se deduz em consulta à página oficial da cm-feira.
Sendo o meu interesse o de mero observador, fui passando os olhos como bicho por vinha vindimada e, porque nasci e sempre vivi colado ao Rio Uíma, parei no Cap. V do Relatórios Final(sic), ponto 5.4 – Zonas Inundáveis e Ameaçadas pelas Cheias, e do sub-ponto 54.1 destaquei: “O estudo das bacias hidrográficas, no qual se inclui a proposta de delimitação das zonas inundáveis e ameaçadas pelas cheias no município de S. M. Feira, foi remetido à consideração da A. R. Hidrográfica do Norte em 12 Dezembro de 2008, obtendo, por parte desta, parecer favorável a 12 de Janeiro de 2009. Em 2010 foi-me dito pessoalmente e face a face que a ARHN não faz vistoria ou fiscalização in loco, mas que se suporta só e unicamente no relatório apresentado pelas Câmaras. Et pour cause, avaliza todas as mentiras que possam estar nos relatórios, tratando-se de mentiras piedosas e com alguma coerência.
Um pouco mais abaixo, no sub-ponto 5.4.2 – Conceitos e Normas – Zona Ameaçada pelas Cheias é dito: “a área contígua à margem de um curso de água que se estende até à linha alcançada pela maior cheia que se produza  no período de um século, ou pela maior cheia conhecida, no caso de não existirem dados que permitam identificar a anterior”. Este detalhe é muito importante para se compreender o que mais adiante se denuncia.
Abre-se depois outro capítulo titulado “Identificação e Caracterização das Zonas Ameaçadas pelas Cheias” e por aí se diz: “..Constatou-se que não existem dados que permitam identificar “a linha alcançada pela maior cheia que se produza no período de um século” , no entanto, o ano de 2001 “foi rico na informação. Segundo alguns autores, em muitos concelhos de Portugal, os valores registados, de precipitação e caudal, são os mesmos, ou aproximam-se dos que caracterizam as cheias centenárias.
Assim sendo, assumindo que a cheia de 2001 será um bom ponto de referência e terá um período de retorno longo, foi assumido como bom ano de referência.
Partiu-se para o terreno, onde as áreas ameaçadas por cheias foram sendo rectificadas à escala 1/1000. Para tal foi necessária a compilação de um conjunto de informação que foi fornecida por moradores, pelos presidentes de Junta de Freguesia, jornais locais e por informação recolhida no local por técnicos da C. M. que estiveram envolvidos na resolução dos problemas ocorridos.
Lido este curtíssimo troço do extensíssimo documento que é o PDM e extrapolando as crassas mentiras metidas na área hidrográfica para todo o resto, ter-se-á de concluir que um tal documento não serve para coisa nenhuma e, pelo contrário, será legislação para ser respeitada só por quem olhe os serviços municipais de esguelha. Porque, para os outros, para o resto, para os bons munícipes, haverá de ser à vontade do freguês, com mais ou menos pancaditas nas costas.
Os serviços camarários estão prenhes de saber que a cheia de 2001 foi uma pequena enchente se a compararmos com a cheia de 1954. Como tenho referenciado mais do que uma vez, com conhecimento epistolar à Câmara, à ARHN e à CCDRN, na cheia de 1954 a água encheu o parque das Termas e transbordou em grande turbilhão por cima do muro do parque. Recordo o caso do miúdo que, estando em cima do muro, teve que se abraçar a um pilarete que existia na entrada sul do parque para não ser arrastado. Esse “miúdo” é vivo e está disponível para dizer, a quem não tem querido a verdade – as gentes da Câmara da Feira -, o risco em que esteve. A pessoa que chegou a corda a quem haveria de ir resgatar o “miúdo” ainda é vivo e pode declarar o que me disse a mim. Eu próprio falei a respeito com mais de uma dúzia de pessoas, já adultas em 1954, que confirmaram que a água na rua, em frente da Padaria Central (Café do Sr. Américo) atingiu um metro. A água chegou à borda do tanque do belo chafariz que havia ali junto à ponte.
Pergunto: Quem partiu para o terreno? Que moradores foram ouvidos em S. Jorge ou em Fiães? Que jornais foram consultados? Pois eu tenho disponível e cederei para consulta o que em 25 de Outubro de 1954 disseram os três diários do Porto – Jornal de Notícias, Primeiro de Janeiro e Comércio do Porto – este último faz referência ao episódio do “miúdo” e diz que em frente ao parque (a sul) a água atingiu 5 metros de altura. Notar que em 2001, andei eu a medir e a água subiu 70 cm acima do solho do estabelecimento na altura instalado na ilha. O que significa que os técnicos foram contratados para ver e escrever o que a Câmara mandou, e foram ouvidos moradores previamente industriados, como tinham sido a quando da elaboração de um vergonhoso Relatório feito por encomenda para justificar o injustificável, Relatório que até incluiu uma fotografia falsa a reproduzir uma casa do “Zé Moleiro”, esquecendo o inqualificado e desqualificado técnico que fez, ou só assinou, o dito Relatório que era nessa casa que eu próprio morava, porque sou filho do tal “Zé Moleiro”.
Relativamente a Fiães, partam para o terreno e falem com o Senhor Salvador Soares da Silva, pois ele deixou escrito bastante sobre a Tromba de Água de 24 de Outubro de 1954. E reparem o título do “Correio da Feira”: GRANDE TRAGÉDIA.
Para me não alongar, reitero que, sobretudo no que concerne a parte de Hidrografia, o PDM é um chorrilho de mentiras que não merece o menor crédito. Para referência de cheia do século, querem os incompetentes técnicos uma comparação?
Todos os anos há cheias no Vale do Tejo, uma mais subidas, outras algo menos, mas que isolam sempre algumas povoações. Mas alguém esquecerá algum dia a cheia de 1967 que, diz-se agora, porque na altura a censura não deixou, terá feito perecer cerca de 500 pessoas?
Estou disponível para levar os tais técnicos, que partiram para o terreno sem sair dos fofos gabinetes, junto de várias pessoas que viveram o dia trágico de 24 de Outubro de 1954. Cá em S. Jorge. E começo já a garimpar na mente as palavras ideais para os qualificar.

José Pinto da Silva

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ÚLTIMA HORA: REVELADOS DOCUMENTOS DAS CONTAS DA FAMILIA SÓCRATES EM OFFSHORES

Com a assinatura da Senhora D.ª Elvira Fernanda Pinto da Silva Monteiro, tia de José Sócrates, é criada uma Sociedade ou Conta Offshore com o tio Júlio Coelho Monteiro (aquele da casa de Cascais…) e os primos. Agora basta movimentá-la em qualquer cidade do Mundo com um vulgar cartão. O dinheiro depositado não recebe juros, pelo contrário, tem encargos. O montante pode ir para um banco alemão que empresta a Portugal a 5% ou mais...

OFFSHORE EM NOME DA FAMÍLIA DE JOSÉ SÓCRATES (clique nas imagens para ampliar)

1 - O CONTRATO

2 - DECLARAÇÃO DA TRUST SOBRE OS TÍTULOS

3 - UM EXTRACTO BANCÁRIO DO BNC INTERNATIONAL (CAYMAN) LTD


EDITORIAL DE AFONSO CAMÕES NO JN

O Estado português deixa que se violem sistematicamente o segredo de justiça e o direito de reserva da vida privada, e assobia para o lado. Posso testemunhá-lo. Disse isso mesmo à Senhora Procuradora-Geral da República, de quem se espera que seja a guardiã dos direitos de cidadania. E que faça o que lhe compete.

Explico-me.
Primeiro, o romance de cordel.
Desconheço a dimensão da matilha, mas sei que, ainda que pouco inteligente, obedece ao dono que a mandou ir "chatear o camões". Só percebeu a terminação, mas veio. Literalmente.
Razões sanitárias inibem-me de dizer o nome da Coisa publicada que nas últimas horas, e provavelmente nas próximas, mente com todas as letras, procurando atingir o meu nome, Afonso Camões, e, por esta via, tentar minar os laços de confiança e de credibilidade na relação com os leitores que fazem do Jornal de Notícias um grande jornal nacional, sustentável, vencedor e orgulhoso da sua pronúncia do Norte.

A Coisa publicada - que lidera em Portugal o triste campeonato das condenações e dos crimes por difamação, abuso de liberdade de imprensa, de violação do direito de reserva da vida privada e outras malfeitorias escritas que tais - mente e manipula, sabe que o está a fazer, mas vai ter que responder por isso, mais uma vez. Associa-nos a um fantasioso plano conspirativo para a tomada do poder na comunicação social, a mando do antigo primeiro-ministro José Sócrates. Esse mesmo, aperreado há 59 dias sem culpa formada, detido preventivamente por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

A "novidade" que trazem, de mau "jornalismo", é velha de mais de 40 anos, tantos quantos os da relação de amizade que mantenho, com gosto e desde a minha juventude, com Sócrates.
E dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos diretor do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo.

É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores.
Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça.

Sim, eles falam com jornalistas!
Durante meses, o caso parecia ter ficado por ali.
Mas basta uma pequena ponta de verdade para sobre ela fazer cair a sombra de uma grande mentira. Depois da detenção de José Sócrates, a 21 de novembro, mas comentada há meses nos meios políticos e jornalísticos, começou a circular nos corredores da intriga que eu teria avisado o antigo primeiro-ministro da sua iminente detenção. Mas, agora, já como diretor do JN, o que configuraria uma grave violação do Código Deontológico. A mentira chegou, plantada, a vários jornais, mas teve sempre perna curta.
O ataque à minha reputação, mas sobretudo à independência e à credibilidade do nosso Jornal de Notícias, levaram-me a pedir uma audiência à Senhora Procuradora-Geral da República. Joana Marques Vidal recebeu-me quinta-feira à tarde, dia 15, na presença do meu diretor-executivo e do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, que tutela a investigação ao caso Sócrates, liderada pelo procurador Rosário Teixeira e pelo juiz Carlos Alexandre.

Narrei à procuradora parte dos factos aqui descritos. Mostrei-lhe séria preocupação pela intentona em curso, lesiva e violadora dos meus direitos, liberdades e garantias, e, sobretudo, o gravíssimo atentado à credibilidade deste JN centenário, que atravessou regimes e revoluções, mas que não é nem nunca poderá ser utilizado como instrumento de uma qualquer guerra empresarial, na disputa pelo controlo dos média portugueses.

Falei a Joana Marques Vidal das escutas de que estaria a ser alvo, da violação do segredo de justiça, da tentativa de condicionamento da minha liberdade enquanto diretor de jornal e jornalista, e da necessidade de a procuradora-geral, como guardiã dos direitos dos cidadãos, atuar para impedir esta violência e a continuação destes crimes. Disse-nos nada poder fazer e, candidamente, aconselhou-nos a consultar um advogado...
Diz a Coisa publicada que foi Sócrates que me fez diretor do Jornal de Notícias.
Sou honrosamente diretor deste grande jornal, com o voto unânime do seu Conselho de Redação, depois de ter aceitado o convite dos meus administradores, com o apoio do Conselho de Administração deste grupo empresarial. É perante eles que respondo. E é aos nossos leitores que dou a cara, cada dia.

Aqueles que se cruzaram comigo ao longo de 35 anos de carreira, que me orgulha a mim, aos meus filhos e amigos, sabem a massa de que sou feito.
Trabalhei com zelo e lealdade sob Freitas Cruz, Feytor Pinto, Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Francisco Balsemão, Cunha Rego, Vasco Rocha Vieira. Nos últimos anos, enquanto administrador da Lusa, trabalhei sob sete ministros, ao longo de três governos de diferentes famílias.
Não sou de deixar ninguém para trás. E guardo em casa, entre outras honrarias, a medalha de mérito da minha terra e a Medalha de Mérito Profissional que me foi atribuída em nome do Estado português.

Mas voltemos à audiência na Procuradoria-Geral da República. O diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, considera que "não há política neste caso" e, sem que eu o tivesse questionado, sublinhou a confiança dos seus "homens no terreno" (estou a citá-lo), negando, primeiro, ter ouvido as escutas, mas, depois, confirmando ter ouvido mas não tudo.
No dia seguinte, a 16, a Coisa publicada bradava o primeiro folhetim da fantasia conspirativa, pretendendo atingir o presidente do Conselho de Administração da Global Media, Daniel Proença de Carvalho, e os seus administradores.

Quem é essa gente, que atira a pedra escondendo a mão?!
Há mais de 400 anos, Filipe II de Castela, aquele que residiu em Lisboa, topou-lhes o caráter nos avoengos, em carta enviada à mãe para Madrid: gente rasteirinha, daqueles que "sofrem mais com a ventura alheia do que com a dor própria". Dói-lhes de inveja que sejamos sãos, a crescer e melhores do que eles. E estão outra vez enganados: aqui, na casa, cumprem-se regras herdadas de gerações de grandes jornalistas, ao longo de 127 anos, e gostamos de roçar a nossa na língua portuguesa. Mas antes mortos do que na imundície em que esgravatam.

Mais luz sobre este lance põe a descoberto, também, o mais sujo e antigo dos truques das guerras comerciais que todos conhecemos: atirar lama sobre os produtos e as empresas da concorrência, para ganhar vantagem no mercado. É nessas práticas que se revelam os carateres.
Não disputaremos tal terreno.
A liberdade de imprensa não pode ser utilizada em nome do lucro ou de agendas empresariais. Nada é mais importante do que a liberdade. E são ignóbeis quaisquer tentativas de submeter a liberdade a agendas pessoais - sejam elas privadas, ou mesmo públicas.
Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem.

A meses de duas eleições que convocam os portugueses para importantes escolhas, a quem aproveita a tentativa de condicionamento do JN?
Este jornal tem critérios e depende exclusivamente deles. São os da ética e do rigor profissional. Não tem ambições políticas e é indiferente a quem as tiver. Não deve obediências a partidos, autarquias, clubes, empresas ou qualquer sacristia. Mas não é nem será neutral na defesa das grandes causas, pela liberdade e dignidade do homem como medida de todas as coisas.

Contra o centralismo, a miséria, a ignorância, a inveja e a tirania, não gostamos do jornalismo mole, narcótico ou redondinho. Ao contrário, apreciamos e procuraremos acolher e cultivar a prosa culta, comprometida, por vezes revoltada - e sempre, sempre inconformada. Um jornal são milhões de palavras. E quem as escreve escreve-se a si também, no seu registo histórico.
O JN é um exercício de memória contra o esquecimento. Na batalha contra as desigualdades e na afirmação da solidariedade inclusiva, em primeiro lugar na relação de vizinhança, aí esteve e aí estará sempre o Jornal de Notícias.
Como eu compreendo o Papa Francisco quando, há poucos dias, disse que se alguém lhe ofendesse a mãe "deveria estar preparado para levar um soco". Por mim, hesito em ir às fuças cobardes de quem me quer ofender, porque resisto à ideia de meter as mãos na enxovia.

Até lá, o Senhor lhes perdoe, que eu não posso.

AUDIÊNCIA DE AFONSO CAMÕES NA P G R




Afonso Camões pediu e obteve uma audiência com Joana Marques Vidal antes de o "Correio da Manhã" noticiar as ligações do director do "Jornal de Notícias" a Sócrates numa alegada operação para controlar a imprensa intermediada por Proença de Carvalho. Sobre as quebras do segredo de justiça, a PGR perguntou a Camões se achava que estas tinham origem na investigação, tendo o director do JN optado pelo silêncio.
Em comunicado enviado às redacções, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que Afonso Camões, director do Jornal de Notícias, solicitou uma audiência em 8 de Janeiro e que esta se realizou no dia 15 - antes de o Correio da Manhã ter noticiado no sábado, 17 de Janeiro, as suas ligações a José Sócrates numa alegada operação para controlar a imprensa – e que fundamentou o pedido "no conhecimento de determinados factos relativos à denominada Operação Marquês, os quais gostaria que a Procuradora-Geral avaliasse".

Contudo, segundo acrescenta o comunicado da PGR, o director do JN usou esse encontro para manifestar "receios quanto à possibilidade, que considerava iminente, de serem publicadas notícias relativas às suas ligações pessoais com José Sócrates, tendo por base escutas realizadas no âmbito da Operação Marquês". Camões disse ainda "temer que as referidas notícias prejudicassem não só o seu nome, mas também o do Jornal de Notícias" e "pediu à Procuradora-Geral que o aconselhasse sobre o que fazer".  

Sobre essa matéria, a Procuradora-Geral respondeu "não lhe poder dar conselhos nem pessoais nem jurídicos, os quais deveria solicitar a um advogado" e esclareceu "desconhecer totalmente se o nome do director do JN constava das escutas telefónicas efectuadas no referido processo". Joana Marques Vidal disse ainda "que sempre que há indícios de crime de violação de segredo de justiça é instaurado inquérito" e que "relativamente ao inquérito em causa já existem investigações em curso por violação do segredo de justiça".

O comunicado precisa igualmente que a Procuradora-Geral da República e o director do DCIAP Amadeu Guerra perguntaram ao director do JN se essas suas suspeitas, decorrentes de uma eventual violação do segredo de justiça, tinham origem na investigação, "tendo o director do JN optado por nada dizer sobre essa matéria".

O comunicado da PGR surge depois de Afonso Camões ter escrito hoje um texto de opinião no jornal que dirige, intitulado "Estado não cumpre e assobia para o lado", no qual revela o encontro com a PGR. Nesse texto, Camões alega que foi queixar-se de violação do segredo de justiça e que a PGR lhe respondeu "candidamente" para procurar um advogado. "O Estado português deixa que se violem sistematicamente o segredo de justiça e o direito de reserva da vida privada, e assobia para o lado. Posso testemunhá-lo. Disse isso mesmo à Senhora Procuradora-Geral da República, de quem se espera que seja a guardiã dos direitos de cidadania", escreve.

Segundo o "Correio da Manhã" de sábado, o ex-primeiro-ministro José Sócrates – detido preventivamente por indícios de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada – foi escutado a falar com um dos seus advogados, Daniel Proença de Carvalho (também advogado de Ricardo Salgado), sobre o negócio de compra da Controlinveste – o grupo que detém o "Diário de Notícias", o "Jornal de Notícias" e a TSF, e que é agora presidido pelo próprio Proença de Carvalho. Ainda de acordo com o "Correio da Manhã" (publicação da Cofina, proprietária do "Jornal de Negócios") terá sido o ex-governante quem escolheu o actual director do JN, Afonso Camões, e Proença de Carvalho chegou a reunir com o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Carlos Magno, para tentar travar as primeiras notícias sobre as suspeitas da casa de Paris, ainda em 2013, que foram avançadas pelo CM.

Na sua edição de sábado passado, o "Correio da Manhã" escreve ainda que, ainda em Maio, Afonso Camões terá avisado o ex-primeiro-ministro de que estava a ser investigado. No artigo hoje publicado, Afonso Camões não nega esta informação, afirmando apenas que em Maio não era director do Jornal de Notícias, mas presidente da administração da Lusa e por isso não actuava como jornalista, mas nega ter avisado José Sócrates como director do JN, dias antes da sua detenção, em Novembro. "Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem", escreve Camões, numa referência implícita ao CM.

O texto de Camões surge depois de na sexta-feira, 16 de Janeiro, o CM ter denunciado em editorial um ataque "à liberdade de imprensa" e informado que vai constituir-se assistente no processo que envolve Sócrates e as alegadas tentativas do ex-primeiro-ministro de silenciar o jornal

sábado, 27 de dezembro de 2014

CARTA AO DIRECTOR DA CADEIA DE ÉVORA



Il. Sr.

Foram as primeiras páginas de toda a imprensa e as aberturas de jornais em rádios e tvs. avassaladas com a vergonhosa notícia de que V. Sa. não autorizou o recebimento de uma encomenda, contendo um livro, enviada pelo Dr. António Arnaut e destinada ao detido 44 a quem os serviços ditos de justiça chamam José Pinto de Sousa, embora o mundo lhe chame José SÓCRATES. Acredito que o director do estabelecimento não tenha grande simpatia pelo detido em causa, mas mesmo sem essa simpatia, que ele próprio dispensará, ao que se ouviu do seu advogado, mas tem o direito a ter o tratamento de cidadão português, mau grado o vilipêndio a que tem sido sujeito pelos serviços da justiça e prisionais.
Em vários supores veio plasmado que a atitude assumida pelo estabelecimento - naturalmente pelo seu director - já não era aceitável no remoto tempo da ditadura que, pensava eu, caiu em 1974. Foi cometida uma indizível injúria ao remetente (identificado no exterior do volume), foi extorquido um direito ao destinatário que foi detido da forma mais indigna que é possível imaginar-se, indignidade ao nível da dos ordenantes, e as autoridades ficam indiferentes porque cientes da impunidade, exactamente como nos tempos mais negros do fascismo português, nos anos de 50/60.
Nada reporá a situação, mas, não podendo Sócrates tomar posição, porque até essa liberdade lhe foi extorquida, o sagrado direito à liberdade de expressão, o Dr. Arnaut, por certo, irá socorrer-se dos palcos que ainda há por aí com liberdade, para forçar ao mínimo que será o pedido de desculpas públicas.
Já escrevi alhures que "os humilhados serão exaltados".

José Marques Pinto da Silva
Rua do Lago, 5
4505-688 Caldas de S. Jorge
B.I. 1894835


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

COINCIDÊNCIAS? OU SÓ TALVEZ?



Em 2003, foi por Março/Abril, ocorreu e tornou-se pública, e fortemente publicitada, a prisão de um alto dirigente do PS, que tinha sido ministro da República e, ao tempo, era considerado o número dois do seu partido e, na mesma altura, um dito super juiz, muito atirado para a cowboiada motorizada e presunçoso de ser fotogénico, foi ao parlamento, para, na prática, deter o supostamente indiciado, tendo tido o cuidado de arrastar atrás de si as câmaras de uma TV (não me acusaram de ter sido eu quem avisou os repórteres). Era, por esse tempo, esse político indiciado de crime de pedofilia e foi misturado no que teve de muita palhaçada, aldrabice, intriga, falsidades, processo Casa Pia. Foi apresentado ao JIC e depois de longo interrogatório foi-lhe decretada a prisão preventiva.
Estava, então, no poder o PSD e o governo tinha entrado na rampa descendente, ao contrário do PS que aparecia aureolado de sondagens bem favoráveis. Estava-se a cerca de um ano de eleições para o Parlamento Europeu e a situação mostrava-se feia para o poder estabelecido, ao contrário do PS que aparecia pujante e premiado com boas sondagens. Para o poder, avolumavam-se as nuvens frias do descalabro, enquanto que o sol aquecia a eira eleitoral do PS, abrindo perspectivas de retumbante vitória.
Já com campanha mais do que insinuada em todas as intervenções públicas, o que se pensava e dizia era que era preciso quebrar a espinha do PS. E, acrescente-se, chegou a parecer que sim. A Paulo Pedroso, o dirigente atingido, foi decretada prisão preventiva e a direcção do PS reagiu mal inicialmente, mas soube depois gerir bem este gravame, desenvolveu a sua política de oposição ao governo e foi crescendo na preferência eleitoral, sem nunca deixar de exteriorizar a solidariedade ao dirigente detido e aguardando serenamente a sua libertação. Nas eleições o PS atingiu um resultado absolutamente esmagador, a tal ponto que, pouco tempo depois o primeiro-ministro da época escapuliu-se para Bruxelas a aproveitar uma frincha de oportunidade. Para o acusado e depois ilibado, ficaram as sequelas de uma condenação mediática, loucamente mediática.
Este ano (2014), uma figura carismática do PS, vindo do estrangeiro (poderia não ter vindo, se tivesse medo de enfrentar a justiça – mesmo a fraca e influenciável justiça portuguesa – foi detido à saída do avião, curiosamente e contra todo o costume, tendo à sua espera inspectores das finanças (desde quando é que gente do fisco pode deter pessoas?) e, com eles, repórteres e câmaras de duas TVs. Juro que não fui eu quem alertou  as TVs para a cacha informativa.
Dizem os entendidos, que não o candidato a Garzon nacional, que quem veio de motu próprio, poderia ter sido notificado para se apresentar onde eles quisessem, à hora que eles quisessem e para os fins que quisessem. O primeiro objectivo era humilhar a pessoa em causa  e dar dimensão ao que chamaram de indícios para que os do poder (e outros), através dos seus paus mandados, denegrissem a figura do Engº. José Sócrates.
É que estamos a um ano de eleições e eles estão claramente na rampa descendente e está o PS guindado para as orlas da maioria absoluta. E escolheu-se o dia da eleição de António Costa como Secretário-Geral e estava-se a uma semana do Congresso que validaria os órgãos directivos. Quereriam os ingénuos condicionar a escolha da equipa de António Costa? Sonhariam eles poder arrumar para os escanos os altos quadros do partido e que foram mais próximos de Sócrates e que o acompanharam no governo? Saiu-lhes o tiro para trás, porque António Costa não anula o passado, orgulha-se mesmo dele e não apaga as figuras altas da fotografia, ao bom jeito do estalinismo soviético e do CDS português. O PS – que é acusado até de se ter voltado para a extrema esquerda – saberá ser sempre solidário com o seu ex-lider e terá bem mais pujança para fazer oposição a este (des)governo.
Atente-se agora à similitude das situações – a de agora e a de há 11 anos – e não se diga que agora se não verificou a remake do filme passado e barbaramente apresentado em 2003, tendo só mudado o “vilão” e bom da fita. O que será normal é que o end venha a ser igual ao de 2003 e que seja aplicada ao “bom” de agora a pena sofrida pelo “bom” de 2003. O apagamento total e ida para o cesto das banalidades inúteis. Sabe, por acaso, o público o que é feito de um tal Rui Teixeira, o vaidosão que foi prender Paulo Pedroso com a televisão a fazer furor informativo? Como o cesto é grandalhão, lá caberá de certeza um tal Alexandre, o prepotente.
Digam que não há influências políticas e que a justiça em Portugal é isenta que eu não acredito. O dito de que a política é política e a justiça é justiça é uma falácia. No meu entender. E os casos demonstram-no.

José Pinto da Silva



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CARTA A JOSÉ SÓCRATES

José Marques Pinto da Silva
Rua do Lago, 5
4505-688 Caldas de S. Jorge

Caldas de S. Jorge, 16 de Dezembro de 2014

Caríssimo Camarada,

Não me conhece (e como poderia?). Sou o militante 2917 do PS, fundador de uma pequena secção de uma pequena freguesia do (quase) norte – Caldas de S. Jorge, no distrito de Aveiro, secção que celebrará 40 anos de vida ininterrupta em 29 de Abril de 2015 (começou como núcleo ainda em 74, tendo a reunião constitutiva tido lugar na minha garagem).
Sou levado a dizer que, picado pelo sentimento de solidariedade, sou agora, se tal é possível, mais admirador do camarada do que fui enquanto foi governante, sobretudo na chefia do governo. E a secção está com este mesmo sentimento, tendo sido emitido um documento de apoio e plasmado num blogue da secção. Algumas outras exteriorizações deste meu sentimento solidário e de admiração cheguei a passá-las ao camarada André Figueiredo, via mensagens privadas nas redes sociais.
Sou um olhador atento dos factos que vão acontecendo no país e, por maioria de razão, acompanho a evolução dos acontecimentos que levaram à detenção do camarada e tenho a minha forma de ver o caso, não engolindo o estafado aforismo de que justiça e a política se não misturam (ou se não devem misturar). O facto é que estão mais do que misturadas e, ao que entendo, o camarada está a ser vítima de um escuso processo político/judicial de contornos que se haverão de definir e denunciar.
Claro que acredito na inocência do camarada e tenho para mim que se está a fazer remake de um filme que vi (vimos) em 2003 e em que só mudam alguns dos protagonistas e muda o nó da trama (antes mais moral e agora só material), mantendo-se, embora, toda a encenação.
Antes e agora, para desempenhar o vilão, elegeram uma figura de topo do PS, o de antes no activo e o de agora fora de todas as lides partidárias. Antes e agora, para desempenhar o bom da fita foi eleito um juiz vaidoso e prepotente que, num e noutro caso, quis montar espectáculo mediático que levasse os (supostamente) indiciados e detidos à suprema humilhação e para tentar levar a opinião pública a condenar de imediato.
Esqueceram os almofarizes da vaidade e da prepotência o ensinamento que diz que os humilhados serão exaltados. Os humilhadores, por contraponto, serão esmagados. Onde anda o tal juiz de 2003? Cometeu a maior maldade que imaginar-se pode, fez cócegas ao seu maléfico ego e acabou na penumbra das inutilidades.
Têm dito os que tiveram a oportunidade de o visitar que o encontraram animado e forte. Esse estado de alma confirma-nos a certeza de que lutará com denodo pela prova da sua inocência e que mostrará a lama em que chafurda muita da magistratura portuguesa.
Reitero, camarada, o meu apoio e, dada a quadra que se atravessa, desejo que passe, o melhor possível, as FESTAS. E relembro o ensinamento: Os humilhados serão exaltados.

Nota: Se até ao 29 de Abril o processo vier a estar resolvido, o que francamente espero, fica o camarada convidado a vir juntar-se a nós para a comemoração dos 40 anos da nossa Secção.