segunda-feira, 13 de março de 2017

ESPÍRITAS PREVIRAM APARIÇÕES DE FÁTIMA E OUTROS FENÓMENOS




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O anúncio colocado no Diário de Notícias pelos espíritas previa as aparições de Fátima. Os historiadores especialistas na I República Fernando Rosas e Filipe Ribeiro de Meneses comentam.
A publicação, há cem anos e um dia, de um anúncio no Diário de Notícias, que alertava para a importância do dia 13 de maio de 1917, que calhava dois meses e três dias depois da edição do jornal, surpreendeu ontem todos os que têm, ou não, que ver com as aparições da Cova da Iria. O Santuário de Fátima não reagiu à publicidade paga que saiu impressa na nona coluna da página 4 daquele dia, além do que já dissera.
Os teólogos portugueses também não mostraram vontade de comentar a curiosidade. Os historiadores que se dedicam a essa época referem, numa única voz, a situação como uma "coincidência". Os atuais responsáveis pelas casas espíritas que puseram o anúncio neste jornal ficaram espantados com o que os seus antepassados previram. Os leitores crentes, por seu lado, permaneceram iguais nas suas convicções sobre os momentos sobrenaturais que deram início a uma peregrinação quase centenária e que supera anualmente os seis milhões de pessoas vindas de todo o país e do mundo até ao recinto conhecido como a Praça Branca, em oposição à Praça Vermelha de Moscovo.
A grande questão que o anúncio coloca é a do seu significado. O título tinha um número enigmático, 135917, que só posteriormente seria entendido como sendo o dia da alegada primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos enquanto o rebanho dos pais pastava, na região de Ourém.
Quanto ao texto do anúncio, maior foi a estranheza: "Não esqueças o dia feliz em que findará o nosso martírio. A guerra que nos fazem terminará." A interpretação que reúne mais unanimidade sobre esta frase é a de se referir ao fim da Grande Guerra, situação que só se verificará um ano depois, em 1918.
Nada que seja um incómodo, afinal, Nossa Senhora enganou-se na previsão durante a terceira aparição, já que terá "dito" à vidente Lúcia que estava para breve. O erro foi corrigido posteriormente, mas não eliminou o facto de a guerra ser a principal essência da Mensagem de Fátima quando essa parte do Segredo foi revelada em Memórias da Irmã Lúcia.
Daí que juntar o teor do anúncio publicado há um século na edição do DN e as aparições de Fátima tenha sido um passo para os inúmeros espíritas, que nesses anos recebiam do Além mensagens focadas no conflito e na conturbada realidade política e social portuguesa. Que eram muitos, pois o espiritismo era moda nos países europeus no pós-guerra, fruto da grande quantidade de vítimas mortais provocadas pela Grande Guerra, e encontravam resposta nestas comunicações com os mortos.
Aliás, na "acta" que regista a sessão espírita de 7 de fevereiro de 1917, em que Stella Matutina revela o conteúdo da mensagem que será transformada em anúncio a um dos presentes, que logo pede lápis e papel para a registar conforme a regra mediúnica, escrita da direita para a esquerda, em que fica a indicação de que "se tomasse nota da opinião da Igreja Católica, para não haver no futuro dúvidas sobre aquela douta opinião". Foi o irmão Carlos Calderon, um famoso músico e maestro à época e um dos membros mais importantes do centro espírita lisboeta, quem ficou encarregado de providenciar a publicação do anúncio e de "seguir com a máxima atenção o desenvolvimento deste assunto, coligindo todos os dados, artigos, etc., que possam conduzir-nos à verdade".
Se os acontecimentos de Fátima deram razão à importância daquela data para a Igreja Católica e ficaram para uma história já centenária, o mesmo não se verificou com a maior parte da documentação que registava aquelas sessões espíritas, pois na década de 1950 as autoridades desmantelaram as casas espíritas em todo o país e confiscaram ou destruíram todos os bens.
Restam os anúncios nos jornais sobre a data que Stella Matutina terá ditado a vários espíritas, como os da famosa casa na Rua da Picaria no Porto, em que se referia: "Hade dar--se um facto, a respeito da guerra, que impressionará toda a gente." Cujos membros enviaram para o JN num postal e que foi considerada como "revelação sensacional", conforme titularam os redatores numa notícia. Também aqui se antecipava a importância do dia 13 de maio de 1917, situação ainda repetida em mais dois outros jornais, Liberdade e O Primeiro de Janeiro.
Várias mensagens do Além
Se os historiadores recusam qualquer validade histórica aos anúncios que as casas espíritas publicavam na imprensa nacional, o mesmo não acontece com os sucessores de quem os colocou há um século no DN e noutros órgãos. É o caso de Manuel Costa, primeiro secretário da Federação Espírita Portugesa, que considera a antecipação prevista no anúncio como algo normal entre os seus: "Não é nada de estranho, estas premonições já aconteceram em muitas outras situações. Posso referir que em relação ao primeiro Presidente da República, Manuel de Arriaga, também foi feita essa premonição a 11 de fevereiro de 1882, numa reunião espírita em Lisboa. Estamos a falar do século XIX, muito antes do fim da monarquia. Aliás, esse mesmo espírita também revelou que iria ser implantada a República em Portugal, num tempo em que os republicanos não eram assim tão numerosos; tal como o regicídio do rei D. Carlos, que foi previsto por uma médium que veio do Brasil para dar indicações claras ao rei de que iria ser assassinado. Na altura, infelizmente, ninguém acreditou."
O DN consultou a edição de A Capital referida por Manuel Costa e confirma-se que está noticiada na primeira página de 4 de outubro de 1913, documentando a publicação, três décadas antes, de um opúsculo em que se anunciava que "o Sr. Dr. Manuel de Arriaga já foi indicado pelos espiritistas para primeiro Presidente da República Portuguesa!" Os redatores comentaram: "A revelação é curiosa, como o leitor não deixará de concluir."
Se os leitores atuais não confiam nestas previsões mediúnicas, Manuel Costa contrapõe que se deve à dificuldade em compreender certas dimensões do homem que, refere, a "própria física quântica explica cada vez mais. Somos muitas vezes catalogados como lunáticos, mas é a ciência mais avançada que mostra o contrário". Quanto à origem destas comunicações, diz: "Essa é uma longa história e difícil de assimilar para quem não tem noção do que se está a falar."
Sobre a falta de credibilidade do espiritismo hoje, Manuel Costa lamenta que não se queira saber o futuro: "Muitas vezes com contornos muito definidos, como foi o caso da comunicação de Fátima. Agora, com o materialismo da sociedade, pouco nos preocupa uma sociedade mais iluminada."
No que respeita à Igreja, garante que "há dentro dela imensos sacerdotes que estão identificados com a fenomenologia mediúnica e com o que se passa a nível espiritual". Sobre a interpretação dos acontecimentos de Fátima, explica que são "um facto mediúnico semelhante ao que todos os dias se passa nas nossas casas espíritas". Ressalva: "A envergadura do espírito de Maria de Nazaré, muito acima da média, é que não se apresenta a qualquer um."

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

MÁRIO SOARES E A RELIGIÃO


Encontrei várias vezes Mário Soares, também em contexto religioso.
Felicitou-me vivamente por umas palavras de despedida no funeral de Natália Correia, com este final: ""Para onde vão os mortos?", perguntava o filósofo Bernhard Welte. Para o Silêncio? Para o Nada? É este Nada que a todos espera. Que Nada? Não está, à partida, decidido como deve ser interpretado este Silêncio e este Nada. Trata-se de um silêncio morto ou de um Silêncio vivo, habitado? Trata-se de um nada negativo ou de um Nada enquanto ocultação absoluta do Mistério vivo, como quando dizemos: aqui não vejo nada, mas sabendo que lá pode estar algo e até o essencial? Quando se olha para o Sol, não se vê nada, tal é o excesso de luz. Este nada é pura e simplesmente nada ou, pelo contrário, o Nada experienciado na morte é a figura do Mistério oculto que a tudo dá sentido e fundamento? Natália, foi no Espírito Santo, tal como o entendias, que acendeste a tua luz e cantaste o fogo do teu canto. Natália querida, no mistério da despedida, que agora mais misteriosamente te envolve, seja ainda o Espírito Santo te guie!"
Fiz uma vez, na Universidade Católica, em Lisboa, uma conferência sobre o pensamento do Padre Joaquim Alves Correia, o padre português mais clarividente do século XX, antecipando inclusivamente o Concílo Vaticano II. Mário Soares, que presidiu, deixou, no final, todas as pessoas sair, para me dizer: Sabe? O António Sérgio, quando lhe apareciam jovens com problemas de fé, mandava-os para o Padre Joaquim Alves Correia. No meu caso, ele já tinha sido exilado. Hoje, estou convencido de que, se não se tivesse dado esse exílio e tivesse tido a oportunidade de me encontrar com ele, possivelmente, em vez de agnóstico, seria crente.
Outra vez, num debate sobre a liberdade religiosa, em Lisboa, uma senhora ousou perguntar-lhe se pensava na morte e no seu depois. E Mário Soares (também aqui cito de cor): A minha mulher é crente. Eu não tenho esse dom. Sou laico, agnóstico. Evidentemente, penso nisso: qual o fundamento de tudo quanto há?, o que é que andamos cá a fazer?, qual o sentido da nossa existência? Mas não tenho fé. Se, na morte, Deus me aparecer, dir-lhe-ei: Ainda bem! Claro, ficarei contente.
"Onde é que eu estarei, quando cá já não estiver", é a pergunta lancinante que Tolstoi coloca na boca de Ivan Ilitch moribundo. Mário Soares partiu. A minha fé diz-me que Deus lhe foi ao encontro. E Mário Soares: Ainda bem que existes! E ficou contente. Porque o Deus em que acredito é o Deus que está do lado da liberdade, aquela liberdade por que Mário Soares se bateu e por cuja luta nós todos lhe estamos profundamente agradecidos. Mário Soares foi um combatente pela liberdade e pela tolerância. A ele se deve em grande parte que, por causa dos ensinamentos colhidos da Primeira República, não tenha havido, no 25 de Abril, conflitualidade religiosa.
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

OPINIÃO

Mário Soares
1. Já foi dito tanto, quer bem quer mal, que pouco me resta para dizer. Mas vou ensaiar dizer umas coisas singelas levado pela brisa do vento que passa. Obviamente, que aquilo que sei de Soares, está de acordo com a maioria dos portugueses que hoje beneficiam da sua luta pela liberdade levada a cabo juntamente com tantos outros, que desembocou felizmente no fim da ditadura salazarenta e à implantação da Democracia. O seu amor à liberdade para todos deve ser para nós um exemplo e um testemunho que nos deve colocar numa atitude de gratidão.

2. Todo o mal que se tem dito de Soares hoje não interessa para nada, o mesmo se pode dizer para todos os mortos, o mal que se diga de qualquer morto é como a importância da chuva para hoje que caiu há 100 ou 200 anos. Porém, o exemplo de uma luta pela paz, a luta pela tolerância face às diferenças e pela liberdade a todos os níveis, devem ser sempre salientados para que sejam lutas inspiradoras para os que vivem hoje ou venham a viver a seguir.

3. O meu conhecimento de Soares e a minha proximidade radica na admiração que sinto pela sua inteligência, a sua criatividade política, o seu respeito pelas diferenças, a sua laicidade, a sua abertura para o diálogo, a sua bagagem intelectual... Uma série de qualidades que para mim fazem da vida de um político exemplar e digno de ser estudado, porque a sociedade hoje, a caminhar para a escravidão no trabalho, a ser manipulada pelos poderes económicos e pela comunicação social, a sombria «pós verdade» que se impõe como eufemismo das falsas promessas e da mentira que comandam o mundo... Há uma série de razões para que a luta do político Mário Soares não seja esquecida, mas faça parte dos meios educacionais para as novas gerações. As liberdades individuais, a dignidade da participação dos cidadãos, as garantias e a liberdade de expressão em todos os tempos, mesmo que em moldes distintos, estão sempre a ser ameaçados, por isso, urge que não se esqueça o legado de Mário Soares.

4. Outro elemento admirável de Soares é o seu amor à pátria, coisa que hoje também anda nas ruas do esquecimento, e a sua laicidade tantas vezes manifestada nos seus pronunciamentos e na sua prática política. Não deve ser esquecido o seu profundo respeito pela Igreja Católica, sobre quem devia ter muitas razões para apontar o dedo quanto à sua ação tão submissa nos tempos da ditadura de Salazar, mas nunca o vez. Pelo contrário, sempre aberto ao diálogo e disponível para participar em qualquer iniciativa promovida pela Igreja Católica. Lembro com saudade uma comunicação que assisti na Universidade Católica no Porto no âmbito de uma jornadas promovidas pela faculdade de Teologia na Universidade Católica do Porto.

5. É este espírito aberto a todos os âmbitos da comunidade humana, que hoje deve fazer parte do nosso pensamento e que o seu exemplo inspire os homens e as mulheres de hoje a tomarem a sério a convivência entre si com liberdade e respeito pelas diferenças. A inquietação quanto ao futuro do nosso mundo, deve ser razão mais que suficiente para tomarmos a sério esta causa da liberdade e da tolerância.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

RUA DOMINGOS O. SANTOS

Ao passar na rua em título, a rua mais circulada da freguesia, seja por viaturas seja por peões, vi que andavam a podar as árvores (im)plantadas em ambos os passeios da rua. A primeira nota é que reparei que, neste caso caso, dentro do que posso entender, podaram as árvores, sendo previsível que não sairão deformadas ou formadas noutra coisa que não árvores. E a ideia saltou logo para a "poda" que fizeram às tílias do arraial. Repare, quem passe naquele espaço público, na boa parte das tílias que quase só exibem o caule/tronco. Há mesmo quem insinue que uma que outra poderá mesmo vir a secar. Depois se verá.

Ao regressar e passando na mesmo rua, porque tive que parar por imposição de tráfego, reparei com olhar mais cuidado para as árvores, elas enquanto tal, para o respectivo porte e para o local de (im)plantação. A rua, pela sua largura, não suportaria passeios mais largos. Facto. Mesmo assim, nos próprios passeios foram colocadas árvores que, em desenvolvimento normal, engrossam os caules e estendem raizames influentes. O que se vê então? Em ambos os passeios não poderá circular uma cadeira de rodas, um carrinho de bebé - suprema ironia, não poder circular um carrinho de bebé em frente à fábrica que as produz -, não passa uma pessoa com uma guarda-chuva aberto (mesmo que se trate das elegantes sombrinhas que abrigam só a cabeça e, nalguns locais, mesmo uma pessoa terá que pôr de perfil para ultrapassar o obstáculo.

Assim sendo, as cadeiras de rodas, os carrinhos de bebé, os abrigados em dia de chuva para passarem terão que utilizar o espaço das faixas de rodagem, com os riscos inerentes, até por se trtar da rua mais movimentada da freguesia.

Não se vislumbra outra solução para esta situação que não seja a abater aquelas árvores e, para esconder a nudez com que ficará a rua, ali plantar arbustos de porte bem pequeno e que ocupe um mínimo naco dos passeios. E nos locais onde não dê para nada, ficar sem nada.

Esta medida será imperativa, porque se está a saquear um direito primário das pessoas e que é o de poder circular livremente, empurrando, ou não, equipamento de transporte de doentes ou de crianças, ou defendendo-se da chuva com o guarda-chuva.

Interrogo-me se as autoridades têm andado tão distraídas quanto eu desde há tanto tempo. A via é municipal, pelo que se espera que a Câmara Municipal atente a isto.

José Pinto da Silva    

domingo, 1 de janeiro de 2017

A QUEM PERTENCE O TERRENO?

Esta imagem é uma parcela de mapa cadastral da zona mais montanhosa de S. Jorge e mais a Sul da freguesia e pretendo chamar a atenção das autoridades autárquicas, locais e municipais e, eventualmente, outras autoridades que possam intervir, para o terreno, claramente demarcado e que, no "boneco" fica contíguo, à direita, dois dois terrenos de cima, isto é, por cima do registado em nome de Emília Santos.
Dizem-me que que aquela parcela terá cerca de 11 a doze mil metros quadrados, que terá o registo matricial 506 de S. Jorge, e que pertencerá à Câmara Municipal. Notar-se-á que isto é um tanto a sul do Engenho e que a face direita do polígono extrema com o Rio Uíma.
Sem ter tido meios para confirmar se o Registo Matricial está mesmo em nome da Câmara, passei para, da outra margem do rio mirar o terreno e confirma-se que o terreno foi revolvido juntamente com o está no meio, entretanto, adquirido por determinada pessoa que fez e vai fazer plantação de eucaliptos.
Sendo correcta a informação colhida, caberá à Câmara, ou se calhar primeiro à Junta de Freguesia, fazer a confirmação da situação e fazer revertê-la enquanto a coisa está "fresca".

José Pinto da Silva

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

UNIDADE DO CONCELHO ...!





Um destes dias vão começar a apelidar o povo de Milheirós de "Separatista" que, no dicionário de há 50 anos, era equivalente a terrorista. 
A propósito do "referendo" levado a efeito em Milheirós de Poiares e, depois, da recomendação que a Assembleia Municipal de S. João da Madeira aprovou, sugerindo a aceitação no seu colo da freguesia de Milheirós se ela viesse a conseguir a sua desagregação do Concelho da Feira, o Presidente da Câmara, primeiro disse-se ofendido com a posição da Assembleia Municipal de S. João e com a da Câmara que acatou a recomendação. Será que o Dr. Emídio pretenderia que a Câmara de S. João da Madeira (por sinal correlegionária do Dr. Emídio o que faz escorregar toda a acusação de partidarites) fosse pedir autorização prévia para acatar uma recomendação da sua Assembleia Municipal?
Declara o presidente da Câmara da Feira que vai pedir audiência aos diferentes Grupos Parlamentares e Reuniões com o Primeiro Ministro e Presidente da República para defender a unidade do Concelho. E até declara que tem dúvidas de que o povo de S. João esteja de acordo com a posição dos seus responsáveis políticos (Câmara e Assembleia). Eu quase poderia dizer que estas dúvidas são delírio.
Aqui salta-me uma questão: Porque é que o mesmo Sr. Dr. Emídio não correu ao Parlamento de então, ao Primeiro Ministro de então e ao Presidente da República de então a RECLAMAR contra o desaparecimento IMPOSTO de 10 freguesias do Concelho da Feira? Então, bem genuflexoriamente, acatou, sem discutir e muito menos reclamar, a "RELVALHADA". 
E porque será que, ao tempo, não cumpriram (a Feira e todos os outros Municípios) a determinação Troikiana de "reduzir significativamente o número de concelhos - como foi feito com as freguesias"? É que aqui cumpre-se à letra o dito popular: "Pimenta no 'cu' dos outros, para mim, é refresco".
Discuta-se e reformule-se a distribuição territorial em todo o país

José Pinto da Silva

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O QUE NASCE TORTO...



Tarde ou nunca se endireita. Reza o adágio.
Vou retomar, o que haveria de ser? o caso do Quiosque da Sé. Do novo, do que não funciona como tal, porque o antigo, funcionando normalmente, não dava motivo a escreveduras. Era um quiosque tradicional e como tal funcionava, dispensando os artigos que tradicionalmente eram e são vendidos naqueles espaços. Como funcionava dentro das normas, não era notícia.
O Novo Quiosque (o que lá está agora) começou torto logo no processo de construção: falta de concurso, não publicitação de preços de cada arte, trabalhos executados por quem não reunia condições para facturar (ou não facturado ou era-o por quem não executou o trabalho, igual a facturação falsa). Essas irregularidades devem ter sido analisadas durante a Inspecção da Autoridade Tributária à Junta de Freguesia e cujo Relatório o presidente se comprometeu, em Sede de Assembleia de Freguesia, a pedir à Direcção Distrital de Finanças. Vai-se indo e vendo, como diria um cego!
Regresso à fase imediata, à hasta pública para atribuição da exploração e que foi objecto de várias licitações, visto haver mais do que um interessado.
A hasta tinha subjacente, e como ponto integrante, o tipo de comércio que se poderia desenvolver no espaço a concessionar: Venda de jornais e revistas e outras publicações, objectos de artesanato, recordações, postais ilustrados, tabaco e água e refrescos. E o que se vê e se começou a ver desde o início da concessão? Um que outro jornal para enganar as aparências, outros jornais quiçá fora de prazo para enfeite do escaparate, tabaco e que mais dos artigos permitidos pelo auto de concessão? Como poderia ser quiosque se, durante a semana, está ene vezes fechado, sem qualquer atendimento. A vender jornais e revistas?
Recordamo-nos que, ao lado do antigo quiosque, estava implantado um pequeno e autónomo espaço destinado exclusivamente à venda de gelados. Esse pequeno – era encarnado, a cor base da empresa que o cedeu – pavilhão chegou a ser colocado no espaço da ilha, mas, ao que se disse, destoava da estética do edifício mãe, tido como a jóia do coroado, mas que, com ou sem coroa levou bolandas diversas. Quando conveio aos detentores da concessão e quando os responsáveis foram amaciados. Com que massa de polimento? A maior dessas bolandas foi a cedência ao alargamento do espaço útil, para uso público, para o dobro do projectado, por tapamento de uma zona que, apesar de juras de fidelidade ao espírito do projecto inicial, era para ser uma esplanada coberta. Acabou por ser coberta e vedada. Autorizada por interesses alguns. Saiba-se quais! Ou por “queer influences”. Ponha-se esquisito nisso. Ilega.a.a.l..! Ergueram-se vozes. Teria sido um bom tema para investigação da A T. Se é que entrou na panóplia da investigação. E daí talvez não, uma vez que a Junta só subrepticiamente interveio no caso. E porque não tirar o tapamento para voltar à forma inicial e projectada? Parece que apareceram testas enrugadas, sobrancelhudas até dizer basta e jactantes movimentos de mãos, como quem se vai munir de algo. O melhor é deixar como está e quem manda que venha cá mandar nesta gente.
Aquele pavilhão encarnado foi, então removido do espaço da ilha por “indecente e má figura”. Disse-se.
Para quem tinha (e segue tendo) influência, e faceia, de cenho carregado, quem tem (deveria ter) poder de oposição, o problema foi de fácil resolução. Acresce-se a gelataria às actividades a desenvolver no quiosque e mete-se lá dentro o equipamento necessário ao objecto. É ilega.a.a.a.l…! Grita-se. Isso seria para quaisquer outros. E não para quem enfrenta, sobrancelhudo, os, supostamente, tutela. Mas a gelataria era bem pouco para fazer daquilo o que queriam e então há que transformar o espaço numa lancheteria. Um grelhador para sandes, tostas, lanches, umas bojecas e umas banquetas de doces e pasteis e aí está instalado um quiosque da era modernaça. Tudo subvertido, tudo transgredido, tudo aceite pela cedente que, ou fecha os olhos, ou os abriu no diâmetro conveniente e benéfico. Tudo acrescido com a criação de uma esplanada no passeio (alargado) em frente ao estabelecimento, ocupando literalmente o espaço público, uma migalha também minha, com mesas, cadeiras, guarda sóis e serviço às mesas. Essa actividade está largamente documentada com fotos e vídeos. O quiosque foi lançado pela Junta, mas o passeio é municipal. E a Câmara deixa que este estado de coisas se mantenha. Ou será que, por causa do cenho carregado, até emitiu licença?
Sem que mo tenha sido confirmado, mas eivado da credibilidade intuitiva, - vox populi, vox Dei – o primus objectivo de tudo era o convencimento de que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Concessionária dos Jogos Sociais, seria tão porosa como as instituições locais e que, com mais cunha ou sobrancelha abaixada, se conseguiria instalar ali o equipamento dos Jogos de Totoloto, Euro Milhões e todos os jogos concessionados pela Santa Casa. Ao que se diz, a Santa Casa saiu um pedaço mais impermeável do que o que se tem visto em relação às autoridades tutelares locais.

Saiu o tiro para trás.

José Pinto da Silva